Um grupo de representantes dos
Torturados na Guerrilha do Araguaia esteve reunido na noite desta
segunda-feira (31) no auditório da Universidade Federal do Sul e Sudeste
do Pará (Unifesspa) com o objetivo de definir as datas em que vão
ocorrer as três audiências públicas como parte do processo de reparação
financeira das vítimas do conflito ocorrido na região durante o regime
militar. Ficou definido que as audiências ocorrerão em Marabá e nas
cidades de São Geraldo e Palestina do Pará, entre os dias 26 de setembro
e 6 de outubro.
Os encontros servirão ainda para discutir o tombamento, junto ao
Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), da “Casa Azul”,
prédio onde hoje funciona a sede regional do Departamento Nacional de
Infraestrutura e Transporte (Dnit) que funcionou como centro de tortura
durante o período da ditadura militar, que durou de 1964 a 1985.
A reunião na Unifesspa foi coordenada por Sezostrys Alves da Costa,
representante dos Torturados na Guerrilha do Araguaia, e contou com a
participação de Paulo Fonteles Filho, membro da Comissão da Verdade,
responsável por investigar os casos de tortura cometidos durante o
regime militar, e deputado federal Beto Salame, além de vítimas e
familiares dos atingidos.
Segundo Sezostrys, o intuito tanto da comissão quanto do grupo
representado por ele é ouvir o depoimento de camponeses e militares
remanescentes que participaram da guerrilha. “Recentemente foram
encontrados vários documentos no município de São Geraldo pertencentes
ao Grupo Executivo de Terras do Araguaia Tocantins (Getat), além de
outros papeis, que comprovam o monitoramento de camponeses e índios
feitos por militares que se faziam passar por civis para camuflar a
intenção de controlar os passos de quem se opunha ao regime durante a
ditadura aqui na região”, revelou.
De acordo com ele, além de documentos escritos foram encontradas
fotos que reforçam as suspeitas de que o regime militar acompanhava de
perto a rotina das pessoas que eram monitoradas. “Havia um homem
identificado apenas com o prenome de Eduardo que se passava por dono de
um museu de antiguidades, mas que na verdade era um agente da Marinha
infiltrado na comunidade para facilitar o monitoramento de quem era
suspeito de se opor ao regime”, declara.
Indenizações
Sezostrys informou ainda que dos 700 membros do grupo Torturados na
Guerrilha do Araguaia que entraram com processo de indenização por
crimes de tortura cometidos durante o regime militar, 97 já foram
indenizados. Outros 31 foram deferidos e aguardam reparação financeira.
“Alguns processos foram indeferidos sob alegação de falta de provas ou
problemas de instrução processual, porém estamos entrando com recurso
para tentar reverter essa decisão”, frisou.
Os julgamentos da Comissão da Verdade sempre ocorrem através de
caravanas realizadas em vários estados. A próxima está marcada para
acontecer em Belém, entre os dias 9 e 10 de dezembro, quando serão
julgados mais de 400 processos envolvendo as vitimas do conflito.
(Da Redação do Correio do Tocantins)

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