1 de setembro de 2015

Comissão realizará audiências. Dos 700 integrantes do grupo que representa os Torturados na Guerrilha do Araguaia, 97 já foram indenizados.


Um grupo de representantes dos Torturados na Guerrilha do Araguaia esteve reunido na noite desta segunda-feira (31) no auditório da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) com o objetivo de definir as datas em que vão ocorrer as três audiências públicas como parte do processo de reparação financeira das vítimas do conflito ocorrido na região durante o regime militar. Ficou definido que as audiências ocorrerão em Marabá e nas cidades de São Geraldo e Palestina do Pará, entre os dias 26 de setembro e 6 de outubro.
Os encontros servirão ainda para discutir o tombamento, junto ao Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), da “Casa Azul”, prédio onde hoje funciona a sede regional do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit) que funcionou como centro de tortura durante o período da ditadura militar, que durou de 1964 a 1985.
A reunião na Unifesspa foi coordenada por Sezostrys Alves da Costa, representante dos Torturados na Guerrilha do Araguaia, e contou com a participação de Paulo Fonteles Filho, membro da Comissão da Verdade, responsável por investigar os casos de tortura cometidos durante o regime militar, e deputado federal Beto Salame, além de vítimas e familiares dos atingidos.
Segundo Sezostrys, o intuito tanto da comissão quanto do grupo representado por ele é ouvir o depoimento de camponeses e militares remanescentes que participaram da guerrilha. “Recentemente foram encontrados vários documentos no município de São Geraldo pertencentes ao Grupo Executivo de Terras do Araguaia Tocantins (Getat), além de outros papeis, que comprovam o monitoramento de camponeses e índios feitos por militares que se faziam passar por civis para camuflar a intenção de controlar os passos de quem se opunha ao regime durante a ditadura aqui na região”, revelou.
De acordo com ele, além de documentos escritos foram encontradas fotos que reforçam as suspeitas de que o regime militar acompanhava de perto a rotina das pessoas que eram monitoradas. “Havia um homem identificado apenas com o prenome de Eduardo que se passava por dono de um museu de antiguidades, mas que na verdade era um agente da Marinha infiltrado na comunidade para facilitar o monitoramento de quem era suspeito de se opor ao regime”, declara.

Indenizações

Sezostrys informou ainda que dos 700 membros do grupo Torturados na Guerrilha do Araguaia que entraram com processo de indenização por crimes de tortura cometidos durante o regime militar, 97 já foram indenizados. Outros 31 foram deferidos e aguardam reparação financeira. “Alguns processos foram indeferidos sob alegação de falta de provas ou problemas de instrução processual, porém estamos entrando com recurso para tentar reverter essa decisão”, frisou.
Os julgamentos da Comissão da Verdade sempre ocorrem através de caravanas realizadas em vários estados. A próxima está marcada para acontecer em Belém, entre os dias 9 e 10 de dezembro, quando serão julgados mais de 400 processos envolvendo as vitimas do conflito.

(Da Redação do Correio do Tocantins)

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